terça-feira, 25 de maio de 2010






Enquanto espero à vida,

enquanto a procuro,

enquanto a vejo passar por mim,

enquanto envelheço em todos os idiomas,

em todas as palavras escritas,

em todas as que nunca escrevo,

naquelas que conheço

e nas quais ignoro,

enquanto tudo isto acontece,

a vida não espera por mim,

não me procura,

não me olha,

vai-se.


E eu,

que o sei e que o digo,

morro a cada dia um pouco

nesta verdade que conheço,

que admito,

que vive em mim

e que eu ainda não sei como evitar,

que eu ainda não sei como esquecer,

que eu ainda lembro

e que lembra-me que continuo vivo.









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